Filme em Cartaz no Cine Super K - 07/04/2014


          Em cartaz na Capital em cópias 3D, convencionais e Imax, legendadas e dubladas, Noé inaugura uma nova leva de filmes hollywoodianos baseados nas escrituras sagradas. Marcado pela polêmica devido à livre interpretação da história narrada na Bíblia e proibido em alguns países islâmicos, o épico estrelado por Russell Crowe chegou aos cinemas brasileiros como uma enxurrada, ocupando 1.015 salas no país. Nos EUA, Noé ficou em primeiro lugar nas bilheterias, faturando US$ 44 milhões em quatro dias. Orçado em US$ 150 milhões, o longa foi rodado nas vulcânicas e desérticas paisagens da Islândia e em um estúdio em Nova York – onde a produção enfrentou um toró verdadeiro de 36 dias, além do furacão Sandy. 

Crowe esteve no Rio há duas semanas divulgando Noé – que conta no elenco ainda com Jennifer Connelly, Anthony Hopkins, Ray Winstone, Emma Watson e Logan Lerman. O oscarizado protagonista de Gladiador (2000) visitou o Vaticano, onde teria uma audiência com o Papa – o encontro foi cancelado, mas o astro assistiu a uma missa celebrada pelo pontífice.

     – Com toda a controvérsia que tem surgido em torno do filme, o fato de o Papa ter nos convidado para a missa é maravilhoso. Isso provou a consistência e a gentileza que ele tem demonstrado desde que assumiu o cargo. Foi um incrível privilégio estar na presença dele – disse Crowe na coletiva.
Na Bíblia, o episódio de Noé ocupa apenas quatro capítulos curtos do Gênesis, concentrados na construção da arca e na contagem dos dias do dilúvio. No filme, Aronofsky e o roteirista Ari Handel preencheram as lacunas criando ou alterando figuras e eventos – mas que acrescentaram dramaticidade, monumentalidade e viés trágico à história. Vivendo isolado com a mulher Naameh (Jennifer Connelly) e seus filhos, Noé (Crowe) recebe em um sonho a tarefa do Criador: erguer uma enorme embarcação para abrigar seu clã e exemplares de todos os bichos da destruição que cairá dos céus em forma de dilúvio. Seguindo os conselhos do avô Matusalém (Anthony Hopkins) e contando com a ajuda dos gigantes de pedra conhecidos como Guardiões, Noé terá de enfrentar as hordas de ímpios comandadas pelo vilão Tubalcaim (Ray Winstone) e até mesmo a resistência de seus familiares a fim de cumprir seu desígnio sagrado.

       O cineasta norte-americano também dá vazão em Noé ao fascínio pelo misticismo, evidente desde sua estreia com o intrigante Pi (1998), em belas cenas que remetem ao visual psicodélico de Fonte da Vida (2006). Em contraponto às imagens oníricas, o cenário desolado e selvagem remete ao caos pós-apocalíptico do filme Mad Max (1979) e à mistura de barbárie e fantasia do seriado medievalista Game of Thrones.



          Noé aquaplana nas sequências de ação e de batalha, que não vão além do convencional desse tipo de produção grandiloquente – e a semelhança das criaturas de rocha do filme com os robôs Transformers não ajuda, destoando do tom adulto da história. O filme cresce, porém, quando desenvolve os dilemas dos personagens, divididos entre a fé e a dúvida, o divino e o humano. Ainda que fiéis de diferentes religiões venham deplorando as liberdades tomadas com relação ao relato bíblico, Noé consegue evocar a fortaleza espiritual de um homem que aceita carregar um fardo que tem o peso do mundo. 
Fonte: G1


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